Sexta-feira, Novembro 19, 2004
Quarta-feira, Novembro 17, 2004
Para o meu coração...
Ausência
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
MORAES, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA.
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
MORAES, Vinícius de. ANTOLOGIA POÉTICA.
Quinta-feira, Novembro 11, 2004
Caminhos...
No meio do caminho
Não se pode retroceder
Mas há caminhos
Na vida sempre há caminhos
Paralelos
Transversais
Estradas cruzadas
Para achá-los não há obstáculos
Percorrê-los é opção
O ponto de chegada é a diferença
de quem encontrou verões, invernos,
ausências,
insônias,
e soube escutar a música do coração
Há caminhos
para quem só está no meio do caminho
Há caminhos
Para quem está só,
No meio do caminho
Quem não conseguiu optar continua
No meio do caminho.
Não se pode retroceder
Mas há caminhos
Na vida sempre há caminhos
Paralelos
Transversais
Estradas cruzadas
Para achá-los não há obstáculos
Percorrê-los é opção
O ponto de chegada é a diferença
de quem encontrou verões, invernos,
ausências,
insônias,
e soube escutar a música do coração
Há caminhos
para quem só está no meio do caminho
Há caminhos
Para quem está só,
No meio do caminho
Quem não conseguiu optar continua
No meio do caminho.


